sexta-feira, maio 25, 2018

Defeso

O meu artigo desta semana no zerozero.
O  período a que se convencionou chamar de “defeso” é para o adepto de futebol a época mais chata de toda a temporada e que dá a aborrecida sensação de nunca mais chegar ao seu fim de tanto tempo que dura.
Pela simples razão de que é um período sem futebol a nível de campeonatos nacionais.
Vale , para matar o “vício”, que quando acontece como este ano a realização de um campeonato mundial de futebol (ou noutros anos de um Europeu) sempre se passa o “defeso” mais depressa acompanhando essa prova cimeira a nível de selecções que também ela atrai atenções e desperta paixões com fartura.
Já para a comunicação social o período de “defeso” é de intenso trabalho porque para além das muitas movimentações de jogadores e treinadores, com todos os avanços e recuos que isso implica nalguns casos, tem ainda a preocupação de separarem o trigo do joio (notícias verdadeiras de notícias que alguns gostam de “plantar” ao serviço dos interesses de clubes, jogadores e empresários) e numa saudável competição entre orgãos de comunicação procurarem antecipar-se uns aos outros no noticias das transferências mais mediáticas.
É um ritual que todos os anos se repete, que vende jornais (embora desconfie que cada vez menos), que dá audiências televisivas e radiofónicas e estimula a consulta de jornais digitais e sites desportivos onde as novidades por norma aparecem mais rapidamente.
Este ano o defeso português vai dividir-se em cinco grandes focos de atenção:
O Mundial da Rússia onde a selecção nacional participa com expectativas elevadas depois de se ter sagrado campeã europeia há dois anos atrás.
A normal faina no que concerne a transferências, entradas e saídas, movimentações de jogadores e treinadores.
A longa agonia do Sporting.
Os inúmeros casos judiciais que envolvem Benfica e Sporting com suspeitas de manipulação de resultados, suborno de jogadores, “toupeiras”, e-mails e tudo mais que se sabe.
E os habituais “casinhos” que no nosso futebol preenchem quase todos os defesos e que neste terão especial incidência na violação de regulamentos pelo Santa Clara e Vitória de Setúbal e que prometem fazer correr bastante tinta porque matéria não falta.
Explanando cada um deles com uma excepção:
Do Mundial, em que somos candidatos mas não somos favoritos para usar uma terminologia muito do agrado do seleccionador, espera-se que Portugal ultrapasse sem problemas de maior a primeira fase (cuidado com Marrocos...)e depois será jogo a jogo conforme os adversários que forem aparecendo e a resposta que a equipa for capaz de dar às dificuldades.
E nisso vai ser muito importante Fernando Santos conseguir “limpar” a cabeça aos quatro jogadores do Sporting que naturalmente irão para a Rússia muito preocupados com o seu futuro imediato.
Sendo certo que Portugal não pode dispensar o “melhor” Rui Patrício nem tem alternativa directa a William Carvalho face à lesão de Danilo e à não convocação de Rúben Neves.
Em termos internos as movimentações ainda estão no seu início (faltam quase três longos meses para o início da próxima época) mas já é patente que Benfica e Braga estão mais activos, o que se percebe porque um quer reconquistar o titulo e o outro subir mais um degrau, enquanto o Porto vendeu Ricardo Pereira por valores interessantes mas ainda não fez nenhuma aquisição e provavelmente ainda voltará a vender antes de comprar.
Quanto ao Sporting limitou-se a confirmar duas aquisição há muito feitas (Raphinha e Marcelo)mas para os lados de Alvalade as nuvens negras não param de se amontoar e é completamente impossível neste momento prever que plantel e que treinador o clube terá na próxima época.
Quanto ao “meu” Vitória, e para falar apenas de cinco dos maiores clubes nacionais, contratou um bom treinador (Luís Castro) mas vai ter de apostar fortemente no reforço do plantel para não perder o “comboio” da disputa de um lugar nas competições europeias.
E isto numa época em que também na equipa B haverá mudança de treinador e de bastantes jogadores (como é normal nas equipas B) e em que o clube vai ter de formar uma equipa para participar no novel campeonato de sub 23.
Não sei, sinceramente, se não serão frentes a mais para quem tem tanto terreno a recuperar em termos de primeira equipa.
A agonia do Sporting é visível, entra-nos pela casa dentro várias horas por dia e ninguém faz a mínima ideia de como irá acabar.
Certo é que com uma assembleia geral daqui a um mês, para destituir os orgãos sociais, e possíveis eleições quarenta e cinco dias depois (em Agosto!!!) se na AG essa proposta de destituição for aprovada o Sporting corre o risco de passar todo o defeso sem direcção com as consequências terríveis que isso significa.
Certo é que durante o próximo mês, e sem saber se vai ter de enfrentar rescisões de contrato por parte dos actuais jogadores e em que número, o Sporting terá grandes para não dizer inultrapassáveis dificuldades para contratar um treinador (e a rescisão de Jorge Jesus será outro bico de obra) e jogadores de qualidade porque estes recearão não só virem meter-se no vespeiro em que Alvalade está transformada como também serem contratados por uma direcção que daqui a um mês pode cair.
Sobre os casos judiciais em curso nada direi (são a tal excepção) que não seja manifestar o desejo de que sejam resolvidos o mais rapidamente possível, de forma que não deixem duvidas a ninguém e com os culpados a serem severamente punidos.
Já envergonharam o nosso futebol que chegue.
Quanto aos “casinhos”...só mesmo em Portugal.
O Santa Clara desrespeitou os regulamentos ao não incluir na ficha de alguns jogos os jogadores sub 23 estipulados e em vez de ser punido com a perda de pontos nesses jogos levou a bem portuguesa “multazinha” que mais não é um convite a que no futuro outros o façam porque entre pagar multa e ter vantagem desportiva ou cumprir o regulamentado a opção está bom de ver que será sempre a primeira.
O Vitória de Setúbal  conhecedor de que pelos regulamentos da Liga só podia ter três jogadores emprestados pelo mesmo clube (no caso o Benfica) tinha ...quatro porque veio agora a descobrir-se que João Amaral é jogador do Benfica com contrato assinado desde a época passada e estava em Setúbal emprestado pelo Benfica.
Seguramente mais um assunto que vai dar alguma polémica mas dificilmente dará mais do que isso porque as coisa são...o que são!
E venha o Mundial.

quinta-feira, maio 24, 2018

Mértola


Girafas

Foto: National Geographic

Farol


Perspectivas...

O chamado "defeso" é a época mais chata do futebol.
Desde logo porque não há jogos mas também porque é a época da especulação desenfreada da comunicação social que para além de noticiar as verdadeiras transferências também se entretém a comprar e vender  por conta própria jogadores aos clubes.
No caso particular do Vitória, uma vez confirmada a contratação de Luís Castro, há agora mês e meio pela frente para constituir um plantel capaz de corresponder às expectativas dos adeptos e estar à altura do que é a nossa História.
No momento em que escrevo este texto são apenas conhecidas saídas do plantel, não havendo ainda notícia de nenhuma contratação, pelo que a avaliação que faço é em função exclusiva dessa realidade de subtrair ao plantel que terminou a temporada aqueles que saíram.
Naturalmente que também não sei se ainda vai sair mais alguém.
Na baliza não vejo problemas porque Miguel Silva e Douglas dão todas as garantias e na equipa B há vários bons guarda redes que poderão ser chamados para suprir a ausência de algum deles com Miguel Oliveira à cabeça.
Nas laterais sabe-se da saída de João Aurélio pelo que Sacko e Vítor Garcia serão os laterais direitos o que sendo suficiente não é, apesar de tudo, bom.
Para a lateral esquerda Konan e Vigário dão conta do recado e ainda há na B um excelente David Luís pelo que a posição está mais que coberta.
No centro da defesa é que são precisos reforços a sério.
Moreno terminou a carreira, Jubal estava emprestado e não há certezas quanto ao futuro ( e em bom rigor aquela posição precisa de quem dê "mais") , João Afonso termina contrato e não deve ficar pelo que restam Pedro Henrique , Dénis Duarte e Marcos Valente que sobem da B. É claramente necessário contratar dois centrais "feitos". 
No meio campo sabe-se que Rafael Miranda e Matheus Oliveira (termina empréstimo) saem sendo provável que também Célis e Hurtado não continuem e que Francisco Ramos seja emprestado pelo que o sector necessita de ser reforçado em quantidade e qualidade.
Há jovens da B que podem subir, como são os casos de Joseph e Kiko, certamente que Tozé regressará mas mesmo assim são bem precisos três ou quatro jogadores para comporem o meio campo.
Na frente consumada a saída de Raphinha, o fim do empréstimo de Heldon (que tem vontade de continuar mas a ultima palavra é do Sporting), a ineficácia de Sturgeon e Rincon são também necessários vários reforços.
Tyler Boyd deve regressar, é possível que Hélder Ferreira seja emprestado para rodar, ignora-se se Tallo continuará e provavelmente Estupinan fixar-se-à na primeira equipa e assim sendo o Vitória (confirmando-se a plena recuperação de Whelton e a continuidade de Rafael Martins) precisará de dois extremos e mais um ponta de lança.
Ou seja dois centrais, um lateral direito, três médios, três avançados são no mínimo necessários a um plantel com a tal ambição atrás descrita.
Em suma e não saindo mais ninguém são bem precisos nove/ dez reforços de qualidade.
Não é pedir muito!
Depois Falamos.

quarta-feira, maio 23, 2018

Eutanásia

A eutanásia, que vai a votos no Parlamento no próximo dia 29, é um dos temas centrais da atualidade política e vem suscitando, como é normal em todos os assuntos que envolvem Valores e considerações éticas , um debate alargado em que as diferentes forças políticas assumem posições radicalmente diferentes.
CDS e PCP votarão contra em bloco, PS, BE e PAN são claramente a favor mas os socialistas darão liberdade de voto aos seus deputados que queiram votar contra, o PEV votará como convier ao PCP e o PSD não tem posição oficial sobre o assunto mas o grupo parlamentar terá liberdade de voto.
No PSD é conhecida a posição favorável de Rui Rio e de Margarida Balseiro Lopes, líderes do partido e da JSD, mas são também conhecidas diversas vozes que se erguem em defesa do "Não" e outras que defendem o "Sim".
Há ainda no partido quem defenda a realização de um referendo e quem seja contra ele a começar pelo próprio Rui Rio.
Não vou aqui enveredar por considerações jurídicas e constitucionais que para além de não serem a minha especialidade também não conheço em pormenor.
Nem preciso porque a formulação de uma opinião tem a ver com outros considerandos.
Pessoalmente e depois de analisar os "prós" e os "contras", sem as tais considerações jurídicas repito, e considerando uma experiência de vida em que já vi muita coisa (e algumas de bem perto) sou claramente a favor da aprovação da eutanásia.
Devidamente regulamentada, com critérios de aplicação bem definidos, mas em que o valor supremo seja a liberdade individual de decidir por parte do doente terminal que quer por termo ao seu sofrimento de forma medicamente assistida.
Tem esse inalienável direito do meu ponto de vista.
E embora respeite muito todas as considerações filosóficas, religiosas, éticas, mistícas e por aí fora tratam-se sempre de objecções de pessoas que bem intencionadas, não o duvido, querem decidir sobre o sofrimento alheio e querem que a dor dos outros sustente as suas tomadas de posições e a tranquilidade das suas consciências.
Creio que nessa matéria o líder do meu partido está absolutamente certo e o dar liberdade de voto é o mínimo que a direcção do grupo parlamentar pode fazer nesta matéria.
Embora, e em linha com o que tenho defendido noutras matérias ( adopção por casais homossexuais, barrigas de aluguer, casamentos entre pessoas do mesmo sexo, etc) , eu preferisse que o PSD tivesse uma posição oficial sobre o assunto e a defendesse sem problemas.
Que neste caso seria o voto a favor.
Quanto a referendar o assunto seria opção que não me chocaria desde que o referendo fosse antecedido de um amplo e esclarecedor debate sobre a lei em apreciação.
É a minha opinião.
Depois Falamos.

Vernazza, Itália


Ayers Rock


Escinco


terça-feira, maio 22, 2018

Não Aceito

O meu artigo desta semana no Duas Caras.
Não é novidade para ninguém que as sociedades vivem tempos complicados, complexos até, fruto a uma crise de valores que se torna de dia para dia mais evidente e á qual as respostas parecem tão insuficientes quanto tardias.
Esse problema social atinge também o mundo do desporto em geral mas do futebol muito em particular, com a enorme facilidade de tudo aquilo que gera paixões ser suscetível de influências fáceis,  criando situações absolutamente reprováveis de que os últimos dias tem sido pródigos face a uma “cultura” que prolifera de que “vale tudo” para ganhar.
E quando não se ganha está o “caldo” entornado e daí a aparecerem as reprováveis situações de violência, por vezes como no Sporting associadas e moralmente comandadas por um caudilhismo tão patético quanto irresponsável, vai apenas um curto passo que alguns não hesitam em dar ou em mandarem dar.
Todos sabemos o que aconteceu na passada semana em Alcochete na Academia do Sporting com a invasão das instalações por um grupo de bandidos que agrediram, sequestraram e destruíram a seu bel prazer deixando perante o país uma imagem terrível e colocando o nome honrado do Sporting Clube de Portugal pelas ruas da amargura.
Criminosos armados com barras de ferro, material pirotécnico, encapuçados como convém a quem vai cometer crimes, agrupados para o fim específico de semearem o terror e a destruição e mostrando perfeita organização na forma como agiram.
Nunca visto neste país!
Nem mesmo quando no passado supostos adeptos do Benfica atacaram jogadores com petardos numa chegada ao Seixal depois de um mau resultado, quando supostos adeptos do Porto atacaram o então treinador Co Adrianse com petardos atirados para dentro do carro, ou quando em Guimarães supostos adeptos do Vitória interromperam treinos no tempo de Rui Vitória e depois de Pedro Martins para demonstrarem a sua insatisfação.
Entre outros exemplos que podiam ser citados mas que tem em comum o não terem a gravidade do que aconteceu em Alcochete.
Acontece que correndo-se o risco, como conceptualizava uma figura sinistra da História de meados do século passado , de uma mentira repetida muitas vezes se transformar em verdade há que combater com enorme firmeza uma falsidade que vai fazendo o seu mentiroso caminho neste país e que é a de associar a violência a Guimarães e aos adeptos do Vitória como se fossem uns expoentes nacionais da mesma.
E eu não aceito isso!
Não aceito que se faça essa associação, não aceito que se faça dos vimaranenses e dos vitorianos adeptos violentos, não aceito que se queira fazer deste clube e desta comunidade os bodes expiatórios das asneiras alheias.
Não aceito que a SIC, com as responsabilidade que como televisão nacional tem, ao noticiar o sucedido em Alcochete mostre imagens do estádio D. Afonso Henriques, alimentado a tese mentirosa de que Guimarães e o Vitória são sinónimos de violência, quando o sucedido foi na margem sul do Tejo envolvendo supostos adeptos de um clube de Lisboa e sem nenhuma ligação a Guimarães e ao Vitória.
Não aceito que o desvairado que (ainda)preside ao Sporting, tentando branquear as suas pesadas responsabilidades em tudo de negativo que vem sucedendo no clube e muito em especial no criminoso acontecimento de Alcochete, tenha referido acontecimentos passados no complexo desportivo “António Pimenta Machado” como equivalentes ao sucedido em Alcochete e que só não tiveram a mesma divulgação porque não se “tratava de atacar o Bruno de Carvalho(sic)”.
Deixando de lado vários exemplos de acontecimentos mais graves passados com supostos adeptos do clube do outro lado da rua que ele tanto gosta de atacar mas que desta vez poupou para se virar para Guimarães e para o Vitória.
Não aceito que se faça dos vitorianos adeptos violentos quando todas as semanas nos chegam relatos de infracções à lei por parte de claques legais e ilegais (conforme os casos) de Porto, Sporting e Benfica que dentro e fora dos relvados fazem o que querem e lhes apetece e num dos casos ainda sobrou tempo ao respectivo líder para as narrar em livro.
Não aceito que se associe  Guimarães e o Vitória a problemas de violência mas depois quando o clube e os seus adeptos são vitimas de violência várias, que vão de armazéns saqueados por supostos adeptos do Benfica  que provocadoramente ainda colocaram filmes nas redes sociais sem até hoje terem sido punidos pelos actos, às agressões a adeptos do Vitória feita por “casuals” em dias de jogo com Porto e Benfica ou à invasão do nosso estádio num jogo da equipa B com o Braga por um pequeno bando de desordeiros vindos de Braga que se dedicaram a destruir cadeiras e a provocarem os adeptos vitorianos até estes os expulsarem do estádio se branqueiem as responsabilidades dos outros como se roubar o Vitória ou agredir os seus adeptos fosse uma justa retribuição à tal violência que nos imputam por tudo e por nada.
E estes são apenas alguns exemplos de muitos que seria possível serem dados.
Antes que venham os moralistas e os adeptos do politicamente correcto, agora muito em moda em alguns opinadores cá do burgo, afirmar que este texto visa desresponsabilizar alguns adeptos do Vitória de actos de violência por eles cometidos devo dizer o seguinte:
Condeno todo o tipo de violência.
E quando outros estavam calados não tive qualquer problema em condenar invasões aos treinos, actos agressivos para com jogadores ou treinadores, e  outros fenómenos violentos com origem em adeptos vitorianos.
Não há violência boa e violência má. Há violência e toda ela tem de ser condenada firmemente.
Agora não aceito é que por sermos adeptos únicos em termos de paixão pelo clube, por sermos uma comunidade diferente de todas as outras porque unida em volta do seu principal clube sem deixar aos três estarolas outras franjas de apoio que não as residuais que se conhecem, sejamos “punidos” com a permanente associação a fenómenos de violência numa clara tentativa de nos diminuírem e apoucarem de uma forma ignóbil.
E a isto temos todos, vimaranenses e vitorianos, que dizer não.
Não aceitamos que façam de nós aquilo que não somos!

P.S E também não aceito que numa manobra incompreensível de fragilização de Guimarães e do Vitória existam vimaranenses e vitorianos a aceitarem comparações injustas com o acontecido em Alcochete e “descobrindo” eles próprios analogias sem qualquer razão de ser entre o desvairado que preside ao Sporting e conceitos da última campanha eleitoral no nosso clube.

Estrelas

Depois deste fim de semana o firmamento do futebol europeu perdeu duas das maiores, mas mesmo maiores, estrelas que nele brilharam nas últimas duas décadas e encantaram todos aqueles que gostam de futebol.
Andres Iniesta, depois de uma brilhantíssima carreira toda ela feita no Barcelona, entendeu que aos trinta e quatro anos já não tinha a capacidade fisíca necessária a continuar a jogar ao nível e nas competições que o seu clube disputa e por isso é provável que ainda vá fazer mais um ou dois anos na China ou nos Estados Unidos antes do definitivo "adeus às armas".
Antes disso ainda teremos uma última oportunidade de o ver ao mais alto nível, no Mundial da Rússia, onde fará também a despedida de uma selecção em que foi figura de primeiro nível nos últimos quinze anos.
Gianluigi Buffon é mais que um guarda redes. É uma lenda viva.
Mais de vinte anos ao mais alto nível, grande parte deles na Juventus(dezassete épocas!!!) e na selecção italiana, com a conquista de inúmeros troféus mas mais do que isso a conquista do respeito por companheiros e adversários pelo seu altíssimo nível enquanto jogador e pela personalidade que sempre evidenciou e que o tornou uma referência.
Curiosamente no seu início de carreira(seis anos no Parma) fez a sua estreia nas competições europeias frente ao Vitória ,num jogo disputado no estádio D. Afonso Henriques, que fica assim como um marco numa carreira em que jogou 1052 (!!!) partidas repartidas entre Juventus (656), Parma (220) e selecção italiana (176).
Infelizmente não o veremos na Rússia porque a selecção italiana não se apurou e por isso o fim de carreira de Buffon terá sido (salvo se também ele optar por improvável "aventura" asiática) mesmo no passado fim de semana.
O futebol perde assim, e no mesmo fim de semana, duas das suas estrelas maiores que tanto lhe deram e tanto contribuíram para a sua popularidade a nível mundial ficando a dever-lhes dois galardões que bem mereceram mas não conquistaram por isto ou por aquilo.
Iniesta mereceu bem a "Bola de Ouro" que nunca lhe foi outorgada, mesmo quando tanto a mereceu como em 2010, por ter sido "vitima" do açambarcamento da mesma pela dupla Ronaldo/ Messi que venceram as últimas dez.
E Buffon bem merecia ter ganho uma Liga dos Campeões com a "sua " Juventus porque é o único grande titulo a nível de clubes que lhe falta.
Esteve lá perto, várias vezes, mas nunca a ganhou. E bem merecia.
Iniesta e Buffon: Foi um privilégio vê-los jogar.
Depois Falamos.

sexta-feira, maio 18, 2018

Queen Mary II


Pandas Vermelhos


Ponte, Tailândia


Os 23 da Rússia

O meu artigo desta semana no zerozero.

No país campeão europeu de selecções não faltam, infelizmente, temas sobre que escrever  mas que gravitando em torno do futebol nada tem a ver com o futebol propriamente dito naquilo que ele tem de melhor.
O jogo, os jogadores, os treinadores, as tácticas, as grandes jogadas, os grandes golos, as grandes defesas e por aí fora.
E por isso rejeitando o “apelo” de escrever sobre tudo que temos visto nos últimos dias, semanas e meses para os lados de Lisboa em torno dos dois maiores clubes dessa cidade mas que envolvem , comprometem e envergonham todo o futebol português (já para não falar de uma sociedade que dá sinais de estar gravemente doente)optei por centrar esta crónica no futebol propriamente dito.
Mais propriamente nas escolhas de Fernando Santos para o Mundial da Rússia , que começa daqui a menos de um mês, e no qual os portugueses que gostam de futebol vão concentrar as suas atenções.
Devo dizer, e tantas vezes tenho discordado das suas escolhas, que considero que Fernando Santos fez uma das convocatórias mais consensuais de sempre.
É evidente que se pode achar sempre que nesta ou naquela posição podia ir este e não aquele jogador, porque cada cabeça cada sentença e nisto de convocatórias cada um de nós é sempre um treinador de bancada, mas globalmente considero uma convocatória bem conseguida.
Por posições:
Na baliza Rui Patrício e Anthony Lopes eram indiscutíveis e depois a opção seria entre a experiência de Beto ou chamar um jovem para ir preparando o futuro numa posição em que Portugal não tem problemas nem de alguma quantidade na qualidade nem geracionais como acontece,por exemplo, no centro da defesa.
Podia ter chamado José Sá, Miguel Silva, Bruno Varela ou Cláudio Ramos, é verdade, mas optou por Beto para terceiro guarda redes (que só por muito azar terá de ser utilizado) e aceita-se até pelo percurso do jogador.
Nas laterais quatro escolhas indiscutíveis.
Cédric que tem merecido sempre a confiança do seleccionador, Ricardo Pereira que fez um grande campeonato e também pode jogar(e bem) como extremo, Raphael Guerreiro que é um dos indiscutíveis mais...indiscutível e Mário Rui que se tornou uma escolha óbvia depois da renúncia de um Fábio Coentrão em quem o talento futebolístico nunca teve equivalência no equilíbrio emocional.
No centro da defesa, onde a veterania começa a pesar sem se verem alternativas à altura, as escolhas de Pepe,Fonte e Bruno Alves eram óbvias mas já a chamada de Rúben Dias me deixa muitas duvidas e é, até, a única das 23 que não merece a minha concordância.
Nunca jogou pela selecção A, não fez uma época particularmente brilhante , nem lhe vejo actualmente (não quer dizer que não possa vir a tê-la) a qualidade necessária a jogar na selecção .
Preferia claramente a chamada de Luís Neto ou Rolando que davam outras garantias.
A verdade é que olhando para os principais clubes portugueses o que vemos?
Marcano/Filipe, Coates/Mathieu, Jardel/Ruben Dias,Raúl Silva/Bruno Viana, Pedro Henrique/Jubal.
Em dez centrais normalmente titulares apenas um é português!
No meio campo nenhuma surpresa.
William Carvalho é o “seis”  indiscutível, depois da grave lesão e consequentemente  grave ausência de Danilo que dava várias soluções ao treinador, João Moutinho é um dos mais experientes e melhores  médios do nosso futebol, Adrien não fez uma grande época no Leicester mas é jogador de grandes jogos e de grandes competições assegurando versatilidade posicional, João Mário idem idem aspas aspas, Bruno Fernandes foi o melhor médio do campeonato português e é um talento em “explosão” e finalmente Manuel Fernandes traz experiência, versatilidade, conhecimento do que é a Russia onde joga há vários anos (e isso tem a sua importância) e fez um grande campeonato sagrando-se campeão pelo Lokomotiv.
Parecem-se seis escolhas indiscutíveis.
Claro que se pode falar de Rúben Neves, de André Gomes e de Sérgio Oliveira mas em bom rigor aqui aplicava-se(bem) a velha e nem sempre feliz máxima de Fernando Santos “mas para ele entrar quem sai ?” e percebe-se porque não foram convocados.
No ataque as dúvidas eram...uma.
Ronaldo é Ronaldo e o treinador já tinha garantido meses atrás que era o único que estava garantidamente convocado, Quaresma tem feito grandes jogos desde que Fernando Santos o recuperou do ostracismo “Paulo Bentiano” e os seus cruzamentos tem valido golos e pontos, André Silva não fez uma boa época no Milan mas foi o segundo melhor marcador da selecção na fase de apuramento e garante uma parceria letal com Ronaldo, Gelson fez um grande campeonato e este Mundial pode significar a sua afirmação a nível...mundial e Bernardo Silva fez uma época sensacional no Manchester City campeão inglês e promete acompanhar Gelson na afirmação a nível mundial.
Estes cinco eram indiscutíveis e grossa surpresa seria se algum não fosse chamado.
Restava o sexto avançado.
E aí havia algumas duvidas.
O histórico Nani que fez uma época discreta mas foi na última meia dúzia de anos uma das principais referência da selecção e em especial no Europeu de França?
Éder que também não fez grande temporada na Rússia (embora tenha marcado o golo do título para o Lokomotiv) mas cuja convocatória poderia ser entendida quase como um amuleto da sorte por razões que todos entenderão?
Ronny Lopes que fez uma bela temporada no Mónaco mas que ainda não tem histórico em termos de selecção A?
A opção foi Gonçalo Guedes e acho que muitíssimo bem.
Fez uma excelente temporada no Valência, pode jogar como extremo ou segundo avançado ( e até dá um jeito como ponta de lança se for preciso)e é um jovem de enorme talento que tal como Gelson e Bernardo Silva pode fazer a sua afirmação neste mundial embora previsivelmente não vá ter tantas oportunidades de jogar como os outros dois.
Em suma , e concluindo, acho que a convocatória de Fernando Santos é excelente, merece a confiança dos adeptos e garante um Portugal competitivo e ambicioso no Mundial da Rússia.
O rolar da bola dirá até onde poderemos ir.